O primeiro semestre de 2025 consolidou o que já vinha sendo observado nos últimos anos: a energia solar fotovoltaica está deixando de ser uma alternativa e se tornando um dos eixos centrais da estratégia energética de empresas e indústrias no Brasil.
De acordo com levantamento da TTS Energia, baseado em dados da ANEEL, houve um crescimento de 9,7% na adesão em relação ao mesmo período de 2024. Entre janeiro e junho deste ano, mais de 169 mil novas companhias instalaram sistemas de geração própria, o que representa 1,5 GW de capacidade acrescida à matriz energética apenas nesse intervalo. Para se ter ideia, em 2024 esse volume correspondia a pouco mais de 154 mil adesões.
Esse salto revela um conjunto de motivações estratégicas que estão remodelando a forma como o setor produtivo brasileiro enxerga a energia.

Por que as empresas estão acelerando a adoção de energia solar?
1. Redução de custos e previsibilidade financeira
A energia representa um dos principais insumos para a indústria e para serviços de grande porte. Ao adotar sistemas solares, as empresas conseguem mitigar a volatilidade tarifária e reduzir gastos em médio e longo prazo — um diferencial em um país com histórico de instabilidade no setor elétrico e tarifas elevadas.
2. Cumprimento da agenda ESG
Consumidores, investidores e até cadeias globais de fornecimento exigem cada vez mais transparência e práticas sustentáveis. Assim, a energia solar fotovoltaica se tornou não apenas uma medida ambiental, mas também um ativo de imagem e reputação no âmbito corporativo.
3. Amadurecimento do mercado de GD (geração distribuída)
O avanço da regulamentação e a definição de regras claras pela ANEEL criaram um ambiente mais seguro para investimentos. Além disso, novas tecnologias reduzem custos de instalação e aumentam a eficiência, tornando o retorno cada vez mais rápido.
O impacto da geração distribuída
No primeiro semestre de 2025, 42 mil novos sistemas de geração distribuída (GD) foram instalados em telhados, coberturas e terrenos de pequeno porte. Diferentemente das grandes usinas centralizadas, a GD democratiza a produção de energia, dispersando polos de geração pelo país e reduzindo gargalos do sistema de transmissão.
Energia solar como diferencial competitivo
Ao analisar o movimento das empresas, percebe-se que a decisão de investir em solar vai além da sustentabilidade: trata-se de uma estratégia de competitividade. Indústrias e redes varejistas com controle sobre custos energéticos reduzem uma despesa significativa em seus orçamentos.
Além disso, negócios que já incorporam métricas de carbono em seus relatórios — algo cada vez mais exigido em mercados internacionais — encontram na geração solar uma forma direta de reduzir escopos de emissão e se alinhar a certificações e normativas globais.
O cenário para os próximos anos
O ritmo de adesão sugere que a tendência permanecerá em alta. Se considerarmos que o Brasil reúne condições privilegiadas de irradiação e ainda possui um enorme potencial inexplorado em indústrias médias e grandes, é provável que a energia solar seja o pilar da transição energética corporativa brasileira nos próximos cinco anos.
O desafio, no entanto, será integrar essas soluções com armazenamento em larga escala e novas formas de gestão inteligente da energia, dando um passo além da geração própria para a construção de ecossistemas energéticos descentralizados e digitais.
O crescimento da energia solar nas empresas brasileiras mostra que investir em sustentabilidade é garantir competitividade, resiliência e protagonismo no futuro da economia. Quem adota agora sai na frente não apenas em redução de custos, mas também em reputação, inovação e atração de investimentos.